
Especialista em Nutrição Animal, Carlos Alberto Tolentino abordou a contribuição dos produtores rurais para a conservação ambiental e a redução das emissões na cadeia pecuária
Uma das principais discussões em torno da sustentabilidade na agropecuária é quem arcará com os custos dessa transformação. Em um cenário de crescente pressão da sociedade por mais transparência nas cadeias produtivas, o tema ganha cada vez mais espaço nos debates do setor, como destacou o especialista em Nutrição Animal, Carlos Alberto Tolentino, no Fórum Feicorte, durante o segundo dia, 24/6, da Feicorte.
No ambiente da pecuária moderna, a discussão sobre ESG e sustentabilidade muitas vezes chega ao produtor associada apenas ao aumento de custos e exigências. No entanto, Tolentino realçou que a construção de uma pecuária de baixo carbono deve ser encarada como uma oportunidade para gerar mais produtividade e rentabilidade dentro das propriedades.
“O mundo cobra muito do agro quando o assunto é sustentabilidade, mas precisamos entender quem realmente está gerando os impactos e quais são as soluções disponíveis. Muitas vezes a conta acaba recaindo sobre o produtor rural, mesmo quando ele não é o principal responsável pelo problema”, explicou.
Outro ponto abordado pelo especialista foi a necessidade de ampliar a comunicação entre o campo e a cidade. Em sua visão, o agro é frequentemente alvo de críticas por estar diretamente ligado ao uso dos recursos naturais e por ter suas atividades facilmente observadas pela sociedade. Ao mesmo tempo, lembrou que o setor possui ferramentas concretas para mitigação dos impactos ambientais.
“O agro executa, mas não comunica com a mesma força. Existe uma falha de comunicação que acaba sendo ocupada por narrativas que nem sempre conversam com a realidade do campo”, enfatizou.
Tolentino também chamou atenção para a contribuição do produtor rural na conservação ambiental. De acordo com ele, uma parcela significativa das áreas preservadas do país está sob responsabilidade direta dos proprietários rurais, que mantêm reservas legais. “Grande parte da vegetação preservada do Brasil é cuidada pelos produtores rurais. Quando olhamos os números, percebemos que utilizamos uma parcela relativamente pequena do território para produção, enquanto uma área expressiva permanece conservada sob responsabilidade do agro”, ressaltou.
Para o especialista, o caminho para uma pecuária mais sustentável passa pela adoção de tecnologias e práticas que aumentam a eficiência dos sistemas produtivos.
Entre as estratégias destacadas estão o manejo adequado das pastagens, o sequestro de carbono no solo, a recuperação de áreas degradadas, a preservação de matas ciliares, a melhoria da nutrição animal e a busca por maior eficiência alimentar, fatores que contribuem diretamente para a redução das emissões de gases por unidade produzida. “Só existe boi verde se a conta não for vermelha”, evidenciou.
ATTUALE COMUNICAÇÃO – SP





