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Pesquisa | Agronegócio amplia demanda por governança integrada do setor

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Divulgação / Imagem gerada por IA

Síntese Global de Tendências em Auditoria Interna, apresentada pelo IIA Brasil, mostra que riscos tecnológicos, financeiros, regulatórios, climáticos e geopolíticos deixaram de atuar isoladamente e passaram a exigir uma nova abordagem para a gestão do agronegócio brasileiro

Durante décadas, o agronegócio brasileiro estruturou sua gestão de riscos com foco em fatores como clima, produtividade, preços das commodities e acesso ao crédito. Esse cenário, porém, tornou-se significativamente mais complexo. A crescente digitalização das operações, a intensificação das exigências regulatórias, a volatilidade econômica, as mudanças geopolíticas, a pressão sobre o financiamento da atividade rural e os desafios climáticos passaram a atuar simultaneamente sobre produtores, cooperativas, agroindústrias e tradings, ampliando a necessidade de uma gestão integrada de riscos e de estruturas mais robustas de governança.

Essa é uma das principais conclusões da Síntese Global de Tendências em Auditoria Interna, consolidação de estudos internacionais apresentada pelo Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil) durante seu encontro anual de líderes de Auditoria Interna. O material reúne pesquisas desenvolvidas por instituições como Jefferson Wells, PwC, KPMG, Deloitte, Protiviti, TrustArc, Nametag e pelo estudo Risk in Focus – América Latina, elaborado pelo IIA em parceria com a European Confederation of Institutes of Internal Auditing (ECIIA).

Os dados mostram que 76% das organizações apontam a cibersegurança como o principal risco corporativo, enquanto 54% identificam a disrupção digital e a inteligência artificial entre as maiores ameaças aos negócios. Na sequência aparecem mudanças regulatórias (49%), incerteza geopolítica e macroeconômica (45%), capital humano (40%), resiliência dos negócios (37%) e riscos financeiros e de liquidez (32%).

Embora os estudos tenham abrangência multissetorial, o IIA Brasil avalia que a combinação desses fatores reflete diretamente o momento vivido pelo agronegócio brasileiro. O setor enfrenta um ambiente de maior seletividade do crédito, crescente utilização de instrumentos privados de financiamento, ampliação das exigências de rastreabilidade e sustentabilidade, maior dependência de tecnologias digitais, exposição a oscilações cambiais e impactos decorrentes da instabilidade geopolítica internacional.

O agronegócio sempre foi reconhecido por sua capacidade de administrar riscos climáticos e de mercado. O que mudou é que esses riscos deixaram de atuar isoladamente. Hoje, uma decisão pode ser influenciada, ao mesmo tempo, por fatores econômicos, regulatórios, tecnológicos, climáticos e geopolíticos. O desafio das empresas passa a ser compreender como esses elementos se conectam e quais impactos podem gerar sobre o negócio“, afirma Paulo Gomes, diretor do IIA Brasil.

Segundo o executivo, esse novo ambiente exige uma evolução na forma como empresas do setor monitoram seus riscos. Questões que antes eram tratadas separadamente passam a demandar uma visão integrada, capaz de identificar como mudanças regulatórias podem afetar mercados, como ataques cibernéticos podem comprometer operações logísticas, como oscilações cambiais impactam margens e como eventos climáticos extremos podem pressionar fluxos de caixa e decisões de investimento.

Na avaliação do IIA Brasil, essa transformação também amplia a importância da governança corporativa. Mais do que responder a eventos já ocorridos, as organizações precisam desenvolver capacidade para monitorar continuamente indicadores críticos, conectar informações de diferentes áreas e apoiar decisões baseadas em dados, reduzindo a exposição a riscos que podem comprometer competitividade e continuidade operacional.

Os desafios, entretanto, não se restringem às empresas do agro. A Síntese Global de Tendências em Auditoria Interna mostra que 67% dos líderes de auditoria afirmam que suas equipes ainda não possuem todas as competências técnicas necessárias para responder às prioridades atuais da função, enquanto 59% classificam o desenvolvimento dessas competências como um dos principais desafios da área. Além disso, 86% das organizações recorrem a especialistas externos, principalmente em temas relacionados à segurança cibernética e auditorias de tecnologia da informação.

Para Paulo Gomes, esse cenário reforça a necessidade de fortalecer capacidades técnicas e estruturas de governança em setores altamente expostos a transformações econômicas e tecnológicas, como o agronegócio.

A competitividade do agro continuará sendo construída pela eficiência operacional e pela capacidade de inovar. Mas, cada vez mais, ela também dependerá da forma como empresas conseguem antecipar riscos, integrar informações e fortalecer sua governança. Em um ambiente de riscos combinados, decisões tomadas com base em uma visão fragmentada tendem a gerar vulnerabilidades maiores. Governança integrada passa a ser um diferencial competitivo para todo o setor“, conclui.

IDEE Informação Corporativa  

Remetente: Wendy de Oliveira wendy@ideecorporativa.com.br

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