
Painel feminino reuniu profissionais que atuam em diversas áreas da cadeia produtiva para discutir os desafios e oportunidades da pecuária brasileira
23 de junho de 2026
A programação da Feicorte 2026 iniciou com um painel conduzido por mulheres da pecuária. No centro dos debates, as profissionais do setor evidenciaram a evolução da atividade e atualizaram tópicos importantes ligados à qualidade, genética, consumo, saúde, experiência gastronômica e o papel das representantes femininas na construção de uma atividade mais conectada ao consumidor.
Especialista em churrasco e primeira sommelier de carnes do Brasil, Larissa Morales compartilhou sua trajetória na gastronomia e destacou que sua relação com o churrasco começou ainda na infância, acompanhando os preparos em família. Criadora do projeto Terroir de Carne e da coluna Nação Churrasqueira, ela contou que passou a estudar a carne de forma técnica e sensorial para compreender melhor os fatores que influenciam a experiência do consumidor.
Durante sua participação, Larissa explicou que a qualidade da carne começa muito antes da churrasqueira. Segundo ela, genética, raça, alimentação, manejo, bem-estar animal, maturação e território interferem diretamente em atributos como coloração, aroma, marmoreio, maciez, suculência e sabor. Para a especialista, é fundamental que essa história chegue ao consumidor final.
Na sequência, a pecuarista Clélia Pacheco, selecionadora da raça Bonsmara, trouxe ao painel uma reflexão sobre a presença feminina no agro e os desafios enfrentados por mulheres que assumem a gestão da produção. Ela lembrou que, embora milhões de mulheres atuem no agronegócio, durante muito tempo elas tiveram pouca visibilidade nos espaços de decisão e representação.
Há 36 anos na pecuária, para Clélia, a genética, nutrição e manejo são pilares fundamentais para entregar uma carne melhor ao consumidor. E para ter sucesso nessa tríade, o produtor precisa olhar além da fazenda e compreender que a experiência de consumo define a valorização do produto. “Não existe produtor sem consumidor”, realçou.
Outra convidada foi a nutricionista Letícia Moreira, pioneira mundial na adoção da dieta carnívora no esporte de alta resistência. Sua trajetória na área começou há cerca de 12 anos, momento em que enfrentou problemas de saúde e obesidade. E foi a partir da própria experiência que passou a estudar novas abordagens nutricionais.
Mais tarde, o trabalho ganhou projeção ao lado do ultra-atleta Alessandro Medeiros, com quem desenvolveu estudos e experiências relacionadas à dieta carnívora no esporte de alta resistência.
Durante o painel, a nutricionista defendeu que a carne precisa ser mais bem comunicada ao consumidor final, especialmente diante de mitos relacionados ao consumo. “A proteína animal contém nutrientes presentes na carne, como vitamina B12, ferro e zinco, e reforçou a importância de levar essa informação também aos consultórios, às escolas e à população urbana”, discorreu.
Também participante do painel, a diretora técnica da DGT Brasil e referência em avaliação de carcaça, Liliane Suguisawa relembrou a sua trajetória profissional que tem ligação direta com o evento e com a pecuária de corte brasileira.
Em sua apresentação, ela destacou que o Brasil já ocupa posição de liderança na produção e exportação de carne bovina, mas ainda precisa avançar em valor agregado. “O país tem vantagens importantes, como produção a pasto, sustentabilidade, escala e presença em mais de 150 mercados, mas precisa melhorar atributos como marmoreio, padronização e qualidade sensorial para competir em patamares mais altos”, salientou.
A especialista defendeu ainda o uso da ultrassonografia de carcaça e do melhoramento genético como ferramentas para transformar a carne brasileira. Para Liliane, a qualidade da carne no Brasil não depende apenas de raça, mas de tecnologia, processo produtivo e seleção dos animais certos. “A carne de qualidade do Brasil já deu certo. Já temos o processo, basta multiplicar”, finalizou.
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