
Biogénesis Bagó
*Gustavo Sena Lopes
A pecuária brasileira atingiu um novo patamar tecnológico. Protocolos vacinais estruturados, uso crescente de IATF e manejo cada vez mais profissionalizado colocaram o país entre os líderes globais em produtividade. Mas, na prática de campo, uma pergunta ainda intriga produtores e técnicos: por que lotes aparentemente iguais respondem de forma tão diferente ao mesmo protocolo sanitário?
A resposta revela um dos pontos mais críticos da pecuária moderna: a eficiência vacinal não depende apenas da vacina.
Embora as vacinas sejam ferramentas indispensáveis no controle de doenças reprodutivas como IBR, BVD e leptospirose, sua eficácia está diretamente condicionada a uma série de fatores que modulam a resposta imunológica dos animais.
Na prática, isso significa que dois lotes, ainda que submetidos ao mesmo protocolo, podem apresentar resultados completamente distintos.
Um dos principais fatores que explicam essa variação é o estresse. Situações comuns no dia a dia da fazenda como manejo excessivo, transporte, calor intenso, desmama e altas lotações levam ao aumento do cortisol, um hormônio com efeito imunossupressor direto. O resultado é claro: a vacina é aplicada, mas a resposta do animal não acontece, trazendo como impacto a redução da proliferação linfocitária, menor produção de anticorpos pós-vacinação, maior risco de falha na concepção e aumento de perdas embrionárias.
Outro fator determinante é o status nutricional. Deficiências energéticas e de nutrientes-chave como Zinco, Cobre, Manganês, Selênio e Vitaminas A e E comprometem diretamente o funcionamento do sistema imune e a eficiência reprodutiva.
Animais com baixo escore corporal ou carências subclínicas apresentam menor resposta sorológica, maior risco de perda embrionária e queda na taxa de prenhez. Ou seja, sem base nutricional adequada, não existe protocolo que sustente resultado.
Entre os fatores sanitários, a Diarreia Viral Bovina (BVD) merece destaque. A presença de animais persistentemente infectados (PI) dentro do rebanho funciona como uma fonte contínua de infecção, comprometendo toda a imunidade coletiva. O fator mais crítico, contudo, é que, muitas vezes, esses animais passam despercebidos.
O impacto é direto, com aumento de abortos e perdas embrionárias, nascimento de bezerros fracos e redução significativa da eficiência reprodutiva.
As verminoses também desempenham papel relevante e frequentemente subestimado. Parasitas como Haemonchus, Cooperia e Ostertagia provocam perdas subclínicas importantes, desviando energia que deveria ser direcionada para reprodução, ganho de peso e sistema imune. Além disso, infestações crônicas reduzem a eficiência da resposta vacinal.
As fazendas mais eficientes do Brasil já entenderam que o resultado real vem da integração entre imunização estratégica, nutrição de precisão, controle parasitário eficiente, manejo de baixo estresse e protocolos reprodutivos bem estruturados.
As fazendas mais eficientes do Brasil já entenderam que o resultado real vem da integração entre imunização estratégica, nutrição de precisão, controle parasitário eficiente, manejo de baixo estresse e protocolos reprodutivos bem estruturados.
Nesse contexto, programas sanitários mais modernos têm evoluído para uma abordagem sistêmica, que considera não apenas a aplicação da vacina, mas também fatores como ambiência, manejo, status nutricional, controle parasitário e monitoramento reprodutivo. A combinação desses pilares contribui para maior padronização das respostas imunológicas, redução de perdas reprodutivas e melhoria da eficiência produtiva dos rebanhos.
Em um cenário no qual cada ponto percentual de prenhez representa impacto direto na rentabilidade, entender os fatores que modulam a resposta vacinal deixou de ser diferencial técnico e passou a ser estratégia de negócio.
Na pecuária moderna, o erro não está na tecnologia, mas na falta de integração. Se dois lotes recebem o mesmo protocolo e produzem resultados diferentes, o problema não está na vacina, mas no sistema.
*Gustavo Sena Lopes, médico-veterinário, coordenador de Território Pecuária da Biogénesis Bagó em Mato Grosso

| Informações para a imprensa |
| Attuale Comunicação – (11) 4022-6824 |




