
O agronegócio registra o maior resultado histórico enquanto as tarifas de Trump derrubam 18,7% das vendas brasileiras para os EUA
São Paulo, abril de 2026 — O Brasil abriu 2026 com força rara no comércio internacional. No primeiro trimestre, as exportações totalizaram US$ 82,3 bilhões alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025 e as importações somaram US$ 68,2 bilhões, resultando em um superávit de US$ 14,2 bilhões, o terceiro maior da série histórica para os meses de janeiro a março, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
No mês de março, o ritmo se acelerou ainda mais: as exportações cresceram 10% na comparação anual, chegando a US$31,6 bilhões, enquanto as importações avançaram 20,1%, para US$25,2 bilhões. A corrente de comércio do mês alcançou US$56,8 bilhões, expansão de 14,3%, sinalizando um mercado aquecido por ambos os lados da equação.
“O terceiro maior superávit trimestral da história, impulsionado por agro e indústria extrativa, revela um Brasil que diversificou destinos e ampliou volume , mas que ainda navega num cenário global de alta instabilidade tarifária”, explica Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate do banco Moneycorp.
O grande protagonista do período foi o agronegócio. As exportações do setor somaram US$38,1 bilhões no primeiro trimestre, a maior marca já registrada para os meses de janeiro a março, com a China respondendo por quase 30% do total (US$11,33 bilhões). A soja em grãos liderou o volume embarcado, com 23,47 milhões de toneladas, alta de 5,9% ante o mesmo período de 2025.
Além do gigante asiático, mercados emergentes ganharam relevância: a Índia cresceu 47,1% como destino, as Filipinas avançaram 68,3% e o México subiu 21,7%. A diversificação de compradores é um sinal positivo de resiliência da pauta exportadora brasileira frente às turbulências geopolíticas.
Na indústria extrativa, setor que inclui petróleo e minérios, o crescimento acumulado no trimestre foi de 22,6%, respondendo pela maior parte do avanço nominal das exportações. A indústria de transformação também contribuiu, com alta de 2,8%.
No primeiro trimestre de 2026, o desempenho setorial do comércio exterior brasileiro foi liderado pelo agronegócio, que alcançou US$38,1 bilhões em exportações — um recorde histórico para o período de janeiro a março. A indústria extrativa também se destacou, com crescimento de 22,6%, impulsionada por petróleo e minérios. Entre os produtos, a soja em grãos manteve protagonismo, com 23,47 milhões de toneladas embarcadas, alta de 5,9%. A China permaneceu como principal destino das exportações do agro, somando US$11,3 bilhões e crescimento de 4,7%. Em contraste, as vendas para os Estados Unidos registraram queda de 18,7% no trimestre, acendendo um sinal de alerta para o mercado.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 18,7% no primeiro trimestre de 2026, totalizando US$7,78 bilhões, enquanto a corrente de comércio bilateral encolheu 14,8%.
A situação reflete uma série de sobretaxas impostas ao longo de 2025. Embora uma decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, tenha invalidado parte das tarifas mais elevadas, os efeitos sobre o fluxo comercial ainda persistem. Uma nova ordem executiva de fevereiro de 2026 isentou de sobretaxas cerca de 46% das exportações brasileiras ao mercado americano, mas 29% delas continuam sujeitas às tarifas setoriais da Seção 232, mecanismo que mira aço, alumínio e outros produtos estratégicos.
O Ministério do Desenvolvimento (MDIC) projeta que o Brasil encerre 2026 com exportações recordes de US$364,2 bilhões, alta de 4,6% em relação a 2025. Para as importações, a previsão é de US$292,1 bilhões, com crescimento de 4,2%, gerando um superávit anual estimado de US$72,1 bilhões.
O cenário, porém, exige cautela. A volatilidade cambial, as incertezas nas cadeias globais de suprimento e os impactos residuais das tarifas americanas criam um ambiente em que a gestão eficiente do câmbio deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser um diferencial estratégico para empresas exportadoras e importadoras.
Para as empresas que operam no comércio exterior, a pergunta já não é se o cenário global vai gerar volatilidade, mas como estar preparado para ela.”
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