
Adaldio Castilho esteve com lideranças de três países e planeja intercâmbio de conhecimento de mercado, manejo e melhoramento genético
O associado da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), Adaldio Castilho, criador da raça Sindi, participou de uma missão em Moçambique, Essuatíni e África do Sul, compartilhando experiências sobre produção pecuária, manejo e melhoramento genético, com foco no potencial da raça zebuína para alavancar o setor produtivo no continente africano.

A viagem foi motivada pelo interesse de lideranças locais em conhecer a experiência brasileira na produção agropecuária. Em maio deste ano, representantes da Federação de Desenvolvimento Empresarial de Moçambique (FDEM) visitaram o Sindi Castilho, criatório de referência nacional, em busca de informações sobre os sistemas produtivos desenvolvidos no Brasil. O encontro resultou no convite para que o criador integrasse a programação do Mozambique CEO Summit 2026, evento que reúne empresários e autoridades de diversos países africanos.

Adaldio viajou para Moçambique acompanhado do filho, Adaldio José Delsim de Castilho, do genro, Thiago Constantino, além do Dr. Henrique Garbellini e do Dr. Thiago Matsushita. Logo na chegada ao país, a comitiva participou de um encontro com o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, Roberto Albino, oportunidade em que foram debatidos os principais desafios enfrentados pelo setor agropecuário moçambicano.
Segundo o criador, ficou evidente que a principal necessidade identificada não está apenas na disponibilidade de genética, terras ou outros recursos naturais, mas na capacitação técnica da mão de obra.

“A África precisa muito do nosso país, especialmente no que diz respeito à genética. E o Sindi vai encaixar como uma luva”, afirma Adaldio.
Durante a reunião, o associado da ABCZ apresentou a proposta de criação de programas voltados à formação prática de profissionais para atuar nas propriedades rurais. A iniciativa foi recebida de forma positiva pelas autoridades moçambicanas, que demonstraram interesse em estruturar ações de capacitação com respaldo técnico brasileiro.

No CEO Summit, Castilho também acompanhou debates sobre investimentos e desenvolvimento econômico, incluindo a participação do presidente de Moçambique, Daniel Chapo, que reforçou o compromisso do governo em incentivar a expansão da agropecuária e da indústria no país.
Em fazendas moçambicanas de leite e corte, Adaldio observou um sistema com ordenha manual, manejo extensivo realizado por pastores, utilização exclusiva de pastagens nativas e ausência de tecnologias como conservação de forragens, produção de silagem ou feno. “Também me chamaram atenção o baixo desenvolvimento dos bezerros e a carência de técnicas de manejo capazes de elevar os índices produtivos”, avaliou.

Diante desse cenário, o criador colocou-se à disposição para receber produtores moçambicanos no Brasil, possibilitando que conheçam de perto o modelo brasileiro de produção pecuária e as tecnologias desenvolvidas ao longo das últimas décadas.
A missão prosseguiu por Essuatíni, onde a comitiva manteve contato com representantes do governo local e apresentou as características da raça Sindi ao genro do rei Mswati III, Luís Leite, e à princesa do país. Posteriormente, também foi realizada uma reunião com o ministro da Agricultura, ocasião em que foram apresentados vídeos demonstrando sistemas brasileiros de produção de carne e leite, manejo de rebanhos e desempenho da raça em períodos de seca.

Na África do Sul, novas visitas técnicas evidenciaram desafios semelhantes. Em propriedades que utilizam animais com genética Angus, Beefmaster e Boran, Adaldio observou pastagens bastante secas e problemas relacionados à infestação por carrapatos, além da dependência de suplementação proteica para manutenção do rebanho.
Foi nesse contexto que a genética Sindi despertou grande interesse entre os produtores locais, já que a raça, e o Zebu como um todo, se destaca pela adaptação aos climas tropicais e pela resistência a parasitas.

A comitiva também passou por instituições de ensino, pavimentando um possível caminho para a criação de parcerias focadas à realização de intercâmbios acadêmicos inseridos em cursos ligados à produção agropecuária.
O associado da ABCZ presenteou, ainda, dois criadores sul-africanos com 100 doses de sêmen de touros Sindi Castilho para cada propriedade, incentivando o início da utilização da genética brasileira nos rebanhos locais.

“Foi uma viagem muito proveitosa. Compartilhamos conhecimento, manejo, falamos sobre mercado e mostramos aquilo que o Brasil desenvolveu ao longo dos anos. Eles precisam muito de tecnologia, de capacitação e de uma raça rústica, de dupla aptidão, que produza bem nas condições que eles possuem. O Sindi atende exatamente a essas características”, conclui.
(Fonte: ABCZ)




