
A discussão sobre qualidade da soja começa a ganhar espaço no mercado brasileiro.
Mais do que volume, indústria e pesquisadores passam a olhar com atenção
características presentes dentro do grão, como proteína, óleo e aminoácidos, atributos
que podem ganhar maior relevância econômica nos próximos anos.
O movimento já é percebido em países como Estados Unidos e Canadá, onde produtores
recebem bonificações por soja com características específicas, incluindo maior teor de
proteína, variando entre 5% e 15%, a depender do contrato. No Brasil, embora essa
remuneração ainda não seja uma prática consolidada, especialistas avaliam que a
tendência pode ganhar força gradualmente, em movimento semelhante ao que ocorreu na
cadeia do leite, onde atributos ligados à qualidade passaram a influenciar a remuneração
do produtor.
Mas há um desafio pouco percebido nessa discussão: não basta produzir um grão de
maior qualidade. É preciso fazer com que ele chegue assim até a indústria.
Estudo da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apontou
que, após seis meses de armazenagem, silos sem controle adequado do ambiente
apresentaram aumento de 58,4% nos grãos ardidos, 14,5% nos fermentados, além de
redução no teor de proteína e maior perda de massa dos grãos.
Estudos conduzidos por José Marcos Gontijo Mandarino, pesquisador da Embrapa Soja,
mostram que atributos como proteína e óleo têm influência direta sobre o valor industrial
do grão, especialmente no rendimento do farelo utilizado na nutrição animal. A Embrapa
Suínos e Aves também trata o tema com importância, pois o farelo de soja é uma das
principais fontes proteicas para aves e suínos, podendo representar entre 65% e 70% da
proteína das formulações nutricionais, dependendo do sistema produtivo.
“Durante muito tempo, a armazenagem foi vista quase exclusivamente como proteção de
volume. Mas começa a crescer uma discussão sobre qualidade do grão entregue à
indústria. Se atributos como proteína e aminoácidos passam a ter mais valor, armazenar
bem deixa de ser detalhe operacional e passa a fazer parte da estratégia econômica do
produtor”, afirma Elton Stadler, CEO da Provent Brasil, empresa fabricante do Sistema de
Exaustão Cycloar.
É nesse cenário que tecnologias voltadas ao ambiente interno dos silos passam a ganhar
espaço. Há mais de 30 anos, sistemas de exaustão contínua, como o Cycloar, ajudam a
reduzir calor acumulado, condensação e excesso de umidade dentro das unidades
armazenadoras, favorecendo a preservação das características do grão ao longo do
armazenamento.
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“O produtor pode ter um ativo valioso nas mãos e não perceber. Se o mercado começa a
olhar mais proteína e qualidade intrínseca, preservar isso dentro do silo passa a ter
impacto direto no bolso do produtor”, conclui Stadler.
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