Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Carne vermelha ganha novo status na política alimentar internacional

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) – Foto: Divlgação

Novas orientações nutricionais nos Estados Unidos alteram prioridades de consumo e proteínas animais ganham espaço

Por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil

Os Estados Unidos mudaram oficialmente suas diretrizes de alimentação e passaram a recomendar maior consumo de proteínas animais, incluindo a carne bovina, por meio do documento “Dietary Guidelines for Americans 2025-2030”. A revisão desloca o eixo das recomendações da pirâmide nutricional, reduzindo o protagonismo histórico dos carboidratos refinados e dos alimentos ultraprocessados e recolocando alimentos de alta densidade nutricional no centro da política de saúde pública. Como maior referência global nesse campo, a decisão tende a influenciar padrões de consumo e mercados internacionais, abrindo espaço para países produtores de proteína animal, como o Brasil. É um movimento que merece atenção e reconhece o que já defendemos há muito tempo: a carne é um alimento essencial para as pessoas.

O novo direcionamento reconhece que alimentos integrais, especialmente os de origem animal, exercem papel central no funcionamento metabólico humano. Carnes (assim como ovos, pescado e laticínios integrais) passam a ser tratadas como fontes estruturais de nutrientes essenciais, deixando de ocupar posição secundária nas recomendações norte-americanas.

Nesse contexto, a carne vermelha é reposicionada como alimento completo, capaz de oferecer proteína de alto valor biológico, minerais biodisponíveis e vitaminas fundamentais para saciedade, manutenção da massa muscular e equilíbrio metabólico ao longo da vida.

Esse reposicionamento vem acompanhado de uma sinalização política explícita. Robert F. Kennedy, Jr., secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, e Brooke L. Rollins, secretária do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, afirmando dizem que, “associada a uma redução drástica de alimentos ultraprocessados, carregados de carboidratos refinados, açúcares adicionados, excesso de sódio, gorduras prejudiciais e aditivos químicos, essa abordagem pode mudar a trajetória da saúde de milhões de americanos”. Ainda na apresentação do relatório, eles destacaram que “estamos realinhando nosso sistema alimentar para apoiar agricultores, pecuaristas e empresas americanas que cultivam e produzem comida de verdade”.

Sim, carne é comida de verdade!

Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de carne bovina, essa mudança tem peso estratégico – e vai além do debate sobre saúde humana. A valorização da carne em diretrizes internacionais fortalece a posição do país em um mercado cada vez mais atento à densidade nutricional, à rastreabilidade e à eficiência produtiva. E a raça Nelore, responsável por cerca de 80% do rebanho de corte nacional, sustenta a base da produção pecuária e reúne atributos alinhados às novas exigências globais, como adaptação climática, produtividade, escala e capacidade de atender diferentes mercados consumidores. Sem dizer sua composição, com teores ideias de gordura, fibras, ferro e uma série de ingredientes saudáveis.

Do ponto de vista nutricional, a carne bovina brasileira apresenta perfil robusto. A cada 100 gramas de acém – o corte mais consumido do país – há quase 20 gramas de proteína, além de uma ampla oferta de micronutrientes essenciais. Zinco, ferro, fósforo, magnésio, potássio, cálcio e vitaminas como B12, B6, B3, B2, B1, A e D compõem um conjunto nutricional relevante, conforme a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, criada pela Rede Brasileira de Dados de Composição de Alimentos em parceria com a Universidade de São Paulo e centros de pesquisa nacionais.

A valorização da proteína animal nas diretrizes internacionais impõe um desafio claro ao país. Não basta reconhecer a mudança; é preciso acompanhá-la com políticas públicas, incentivos à produção e valorização do sistema pecuário. O Brasil reúne condições únicas para ampliar sua contribuição à segurança alimentar global, com escala, eficiência e sustentabilidade.

Iniciativas conduzidas pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), como o incentivo à seleção dos melhores animais por meio de programas de melhoramento genético baseados na avaliação de reprodutores e análise de carcaças realizada no maior campeonato do gênero no mundo, o Circuito Nelore de Qualidade, demonstram que a base produtiva já está estruturada e em constante evolução. Com apoio institucional e diretrizes alinhadas à nova realidade nutricional, o Brasil conquista ainda melhores condições para consolidar seu papel como fornecedor de proteína animal de alta qualidade para alimentar o mundo. E esse alimento tem sabor de carne Nelore.

Graziele Oliveira

Texto Comunicação Corporativa – SP